Tudo de bom e de ruim que percebemos na vida de cada um de nós depende do grau de satisfação ou do grau de frustração que as circunstancias proporcionam quando acontecidas. E isso é assim em todos as ocorrências, em todas as ligações e em todas fases da vida na pessoa humana em geral. Tudo é assim porque existe um mecanismo em nosso psiquismo que cria expectativas de todas as formas e sobre todas as coisas, desde em relação as coisas mais simples, como comprar um pão, como na escolha da profissão e no seu exercício, nas relações de amizade, como nas relações interpessoais mais profundas.
Os exemplos são muitos: uma mente sadia, com sentimentos medianamente normais e com boas condições de avaliação de seus valores, sai de viagem sem habitualmente imaginar que vai furar um pneu. Principalmente se os mesmos estão em boas condições; aí então, nem pensa nessa possibilidade. Se por acaso for surpreendido por um prego, a frustração e surpresa vão ser grandes, tudo por que não só não existia expectativa para o fato, como existia expectativa ao contrário. E houve, sim, uma reversão da lógica que estava quase intrínseca, tal era a sua improbabilidade. Já, se ao sair na mesma viagem, foi verificado que os pneus estavam em mau estado, então o viajante sai carregando um outro tipo de expectativa, com maior probabilidade de insucesso e a sua frustração, se o pneu furar, será menor. Ou, então, se está acostumado a comprar pão quentinho em uma determinada padaria, diariamente ao entardecer, já vai para ela com a esperança de mais uma vez ser atendido nessas condições. Mas, se em um determinado dia o pão não estiver nas condições costumeiras, ocorre o desgosto e a frustração por ver contrariada a expectativa.
E assim é tudo na vida, você se desgosta quando a sua expectativa é contrariada ou fica satisfeito quando as coisas correm como esperava. De forma consciente ou automaticamente. É através destes conceitos que se escolhe e vibra com o seu time de futebol, que escolhe ou rejeita seus amigos, o mesmo acontecendo com as cores e o tipo das suas roupas, com o seu tipo de leitura e tudo mais; enfim, é assim na sua vida diária e pela vida a fora.
Se o seu filho faz coisas que aprova e que eram esperadas que ele fizesse, principalmente se estas coisas o tornam parecido com você quando tinha a mesma idade, então este filho corresponde à sua expectativa. Mas se o seu proceder sai longe dos preceitos aceitáveis, você se frustra e muitas vezes o rejeita. Ou, então, não se aproxima dele tanto quanto de outro filho com quem existem maiores afinidades, tudo porque este último lhe corresponde mais.
Pois assim é em todos os setores da vida e assim também é no amor, onde também a expectativa nos baliza. E, se as alegrias são muito grandes e o prazer nem se fala, é onde existe lugar também para grandes decepções. E isso ocorre geralmente por culpa de um erro: é que pelo simples fato de existir o sentimento, que muitas vezes cega quem o carrega e leva a fantasiar, induz também a erros de avaliação e, consequentemente, a erros de expectativa. E daí sobrevem muitas vezes, ao invés de satisfação, a frustração, a dor do amor.
Experimente e avalie bem o que você espera da vida; afinal, a própria felicidade é uma questão de expectativa satisfeita. Ou não!
sábado, 16 de agosto de 2008
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