domingo, 11 de maio de 2008

Neurociências II

CÉREBRO E SEXO

Influências sexuais sobre a constituição cerebral e suas funções.

Todos sabemos que os machos são mais agressivos que as fêmeas, fazem brincadeiras mais violentas que elas, as quais são mais maternais.
Sabemos também que, em geral, os homens são melhores em tarefas que envolvem orientação no espaço.
Talvez o fator mais importante a produzir diferenciação entre machos e fêmeas seja o nível de exposição aos hormônios sexuais no início da vida, inclusive na vida fetal.

Quando um cromossoma Y está presente, formam-se testículos ou gônadas masculinas; quando não existe cromossoma Y, formam-se ovários. Desde a vida intrauterina, os hormônios masculinos por eles secretados vão formar a genitália masculina, bem como os comportamentos masculinos correspondentes.
Na ausência de hormônios masculinos é que se formam os genitais femininos e os comportamentos correspondentes. Sendo, então, a anatomia feminina e os comportamentos correspondentes o modelo padrão na ausência de androgênios.
Efeitos duradouros decorrentes da exposição precoce a hormônios sexuais são caracterizados como ”organizacionais” porque parecem alterar, de forma permanente, a função cerebral orientada a cada sexo durante um período crítico de desenvolvimento pré ou pós-natal precoce.

A área do cérebro que regula o comportamento reprodutivo masculino e feminino é o hipotálamo, incluindo a orientação sexual e a identidade do gênero foram relacionadas à variação anatômica desta estrutura, mas também existem efeitos organizadores oriundos na amígdala, córtex pré-frontal e medula espinal. Daí o arqueamento da coluna de forma receptiva nas fêmeas e a monta nos machos.
Descobertas que são consistentes com a hipótese de que a orientação sexual e a identidade do gênero têm um componente biológico importante.


Hormônios e intelecto-

Os homens se saem melhor que as mulheres em tarefas espaciais, bem como em raciocínio matemático e navegação em rotas. Bem como os homens são mais precisos em testes de habilidade motora em alvo.
As mulheres, em média, sobressaem em testes que medem a capacidade de lembrar palavras e em tarefas manuais. Outras descobertas também apontam a superioridade das mulheres na memorização de referências -

Hormônios e Comportamento

Diferenças estruturais podem ser análogas às comportamentais; o hipocampo- região que pode estar também relacionada ao aprendizado espacial – é maior em machos que em fêmeas.
Meninas com Hiperplasia Adrenal Congênita(HAC)- uma anomalia genética - e que apresentam produção de grandes quantidades de andrógeno, mostram maior preferência por carreiras e atividades masculinas, bem como por jogos e brincadeiras de meninos.
Padrões cognitivos de adultos podem permanecer susceptíveis à flutuações hormonais, inclusive sazonais, durante a vida.
Durante o ciclo menstrual, o desempenho das mulheres varia conforme os níveis de estrogênio: taxas elevadas deste hormônio associam-se a uma diminuição relativa das habilidades espaciais, bem como de uma melhora na lingüística e destreza manual.
Flutuações sazonais nos homens mostram um melhor desempenho nas habilidades espaciais durante a primavera, quando os níveis de testosterona são mais baixos.

Ademais, pesquisadores estudam diferenças sexuais entre a organização dos hemisférios direito e esquerdo, mostrando assimetria em relação à linguagem e às funções espaciais em homens e mulheres.
A ação da testosterona na amígdala está relacionada à motivação para buscar a atividade sexual, exercendo papel importante na regulação da motivação sexual de homens e mulheres. E a sua ação no hipotálamo é necessária para produzir o comportamento de cada gênero relacionado à cópula. Bem como é no hipotálamo onde se dá a identidade sexual, o sentir-se homem ou mulher.
Uma hipótese em relação a homossexuais do sexo masculino é que eles tenham um hipotálamo com modelo mais feminino que masculino. Ainda que os homossexuais masculinos possam ser considerados como sendo um “terceiro sexo”, pois as caraterísticas de seus hipotálamos diferem tanto dos homens quanto das mulheres, segundo Swaab e Hofmann, 1995.
Essa descoberta indica a possibilidade de uma base biológica para a transsexualidade.

Padrões de função

Mulheres estão sujeitas a afasias com mais freqüência após uma lesão na região anterior do cérebro, quando nos homens a afasia é mais provável quando a lesão ocorre mais posteriormente; além do que os homens estão sujeitos, com mais freqüência, a afasias decorrente de lesão no hemisfério esquerdo.
Estas descobertas sugerem que as mulheres , ao empregarem habilidades verbais mais abstratas, utilizam os dois hemisférios de forma mais uniforme que os homens.. Ou seja, os sexos podem ter uma organização cerebral diferente para algumas tarefas de linguagem, mas não para outras.

Na evolução do homem, olhando-se para trás, deduz-se que os homens eram responsáveis pela caça e pela procura de comida, por defender o grupo contra predadores e por desenvolver e usar armas.
As mulheres coletavam os alimentos próximos à base domiciliar, tomavam conta da casa, preparavam a comida e as vestimentas e cuidavam das crianças pequenas.
Daí as diferenças desenvolvidas nas habilidades de cada gênero, ao longo da formação humana.




Recapitulando
O comportamento sexual é controlado por uma combinação de hormônios gonadais, neurônios do hipotálamo e sistema límbico, bem como por fatores genéticos. O hipotálamo controla os detalhes da cópula tanto nos machos como nas fêmeas, enquanto a motivação para o comportamento sexual é controlado pela amígdala. Ao contrário do comportamento alimentar, o controle neural do comportamento sexual é afetado pelas ações organizadoras dos hormônios durante o desenvolvimento. Esses hormônios influenciam o tamanho das sub-regiões e a estrutura das células do hipotálamo e nos hemisférios cerebrais.. Essas diferenças anatômicas explicam algumas diferenças no comportamento sexual entre machos e fêmeas e entre indivíduos.