Neurociência I
Como o cérebro cria a mente –
O crescimento inexorável e exponencial de um novo conhecimento pode criar a sensação de que nenhum problema consegue resistir ao ataque da ciência, desde que a teoria esteja correta e as técnicas sejam suficientemente poderosas. Não se levantam dúvidas sobre como o cérebro processa a visão ou a memória, componentes óbvios do processo mais amplo da mente consciente.
O corpo e cérebro de todas as pessoas podem ser observados pelos outros; a mente, no entanto, só pode ser observável por seu dono.
A mente é privada, oculta, interna e inequivocamente subjetiva.
No afã de desvendar a mente, levar adiante uma investigação usando o próprio instrumento que está sendo investigado torna tanto a definição do problema como a maneira de solucioná-lo especialmente complexas.
A noção de um possível papel para a física quântica na elucidação da mente não eqüivale a endossar suas propostas específicas de que a consciência se baseia em fenômenos quânticos que ocorrem nos microtúbulos – componentes dos neurônios e outras células.
Portanto, é sustentável que os processos biológicos que hoje se presumem corresponderem a processos mentais são de fato processos mentais e assim serão considerados quando compreendidos em detalhes.
O empenho em mapear o cérebro começou a 150 anos atrás com Paul Broca e Carl Wernicke. Hoje os pesquisadores conseguem registrar(mapear) diretamente a atividade de um só neurônio isoladamente e relacioná-lo a um estado mental específico, como a percepção da cor vermelha ou de uma linha curva.
E exames como PET-SCAN ou RNM revelam como uma determinada região do cérebro é recrutada para uma determinada tarefa mental.
Já descobriu-se como circuitos cerebrais representam a forma de um dado objeto e como regiões cerebrais adiante do córtex visual primário são especializados em processar posteriormente a cor e o movimento.
Em relação à memória, os gânglios basais e o cerebelo são essenciais para a aquisição de habilidades, como pedalar uma bicicleta ou tocar um instrumento. E depois de aprendidos os fatos, a memória de longo prazo conta com sistemas cerebrais multicomponentes, localizados em vastos espaços cerebrais, conhecidos como córtices.
O Eu: Darwin- A evolução produziu um cérebro cuja função é representar diretamente e indiretamente tudo aquilo com que o organismo interage.
O cérebro possui meios naturais de representar a estrutura e o estado de todo o organismo.
Como é possível sair-se deste “eu” biológico e saber sobre o “eu” e adjacências? Damásio sustenta que o fundamento biológico para o senso do “eu” pode ser encontrado naqueles dispositivos cerebrais que representam, momento a momento, a continuidade do mesmo organismo individual. Acredita ele que o cérebro utilize estruturas planejadas para mapear tanto o organismo como com os objetos exteriores, a fim de criar uma representação nova, de segunda ordem, que indica que o organismo, conforme mapeado no cérebro, está voltado para interagir com um objeto externo, também mapeado no cérebro. A representação não é uma abstração: ela ocorre nas estruturas neurais, como o tálamo e as estruturas do giro cíngulo.
Especificamente, este processo apresenta no interior do processo mental a informação de que o organismo é o dono do processo mental. Surgindo então a pergunta: A quem isto está ocorrendo? O senso do “eu” no ato do conhecimento é então criado, e isso forma a base da perspectiva em primeira pessoa que caracteriza a mente consciente.
Processos cerebrais objetivos costuram a subjetividade da mente consciente a partir do tecido do mapeamento sensorial.
É provavelmente seguro afirmar que por volta de 2050, o conhecimento sobre fenômenos biológicos terá eliminado as separações entre corpo e mente, cérebro e mente e corpo e cérebro.
Ao compreender a mente em nível mais profundo, nós a veremos como o mais complexo conjunto de fenômenos biológicos da natureza, e não como um mistério da natureza desconhecida. A mente sobreviverá à sua explicação!
O Problema da Consciência
Aquilo que conhecemos como mente está intimamente relacionado a certos aspectos do comportamento de cérebro.
Acredita-se hoje que é possível explicar todos os aspectos da mente, inclusive seu maior atributo, a consciência, como sendo o comportamento de redes neuronais agindo em concerto.
Conforme afirmou há um século James Willians, pai da psicologia moderna,a consciência não é uma entidade, mas sim, um processo.
O conhecimento da visão tem sido utilizado para melhor estudar o problema da consciência. O cérebro utiliza experiências passadas( sejam suas próprias, sejam as genéticas) para ajudar a interpretar o que chega aos nossos olhos.
As computações realizadas pelo cérebro são predominantemente inconscientes; aquilo de que nos tornamos conscientes é o resultado final desta computação.
É provável que tenhamos uma representação inativa da Estátua da Liberdade em nosso cérebro. Se pensamos nela, a representação se torna ativa, com a descarga de neurônios pertinentes.
Além disso, cada uma das implicações de ver um rosto, tais como o sexo da pessoa, a expressão facial, sua familiaridade, a quem ele pertence, pode estar relacionado com neurônios que disparam em lugares distintos.
William James achava que a consciência envolvia tanto atenção quanto a memória de curto prazo; Jackendoff entende que a consciência é “enriquecida” pela atenção, tão necessária para a consciência plena.
É difícil imaginar que alguém possa estar consciente se não tiver memória, mesmo que extremamente breve, daquilo que acaba de acontecer.
A consciência está em constante mutação. As redes funcionais neuronais formadas rapidamente ocorrem em diferentes níveis e interagem para formar redes funcionais ainda maiores. Elas são transitórias e comumente duram apenas frações de segundo.
O propósito da consciência visual vívida é alimentar as áreas corticais relacionadas com as implicações de que vemos; a partir daí, a informação se move num sentido para o sistema hipocampal, para ser codificada (temporatriamente) na memória episódica de longo prazo, e nas áreas de planejamento motor.
Pacientes com “visão cega” por lesão do córtex visual, conseguem reagir de forma limitada a certos comprimentos de onda. Experimentos sugerem que pudesse existir uma conexão direta entre o corpo geniculado e outras áreas visuais do córtex.
Pessoas com visão normal costumam reagir a sinais visuais sem estar plenamente conscientes deles.
Sabe-se que os sinais recebidos em espaço de tempo muito curto são tratados como simultâneos. Assim, existe uma resposta de “amarelo” quando existem estímulos muito próximos de verde e vermelho, por existir um período de percepção que dura de 60 a 70 milisegundos.
A atenção parece estar relacionada a algumas formas de memória visual; o pulvinar, uma região do tálamo, parece estar envolvida com a atenção visual.
O problema surge quando é necessário estar consciente de mais de um objeto exatamente ao mesmo tempo. Se todos os atributos de dois ou mais deles fossem representados por disparos rápidos de neurônios, esses atributos poderiam se confundir. P.ex. a cor de um poderia confundir-se com a forma de outro.
Existe uma hipótese simplista de que camadas mais superiores do neocórtex são, em grande medida, inconscientes; enquanto atividades das camadas mais inferiores(5 e 6) , na maioria se relacionam à consciência visual.
A consciência visual é sem dúvida um problema difícil. É preciso pesquisar mais a base psicológica e neural da atenção e da memória de curta duração.
O Enigma da Consciência
Por que existe? O que faz? Como pode ter surgido de processos neurais do cérebro?
Quando olhamos para uma página, estamos conscientes dela, como parte de nossa vida mental privada, através de suas cores e formas, podendo sentir emoções e formar pensamentos. Juntas, estas experiências formam a consciência: a vida interna e subjetiva da mente.
Depois da corrente behavotrista, no início do séc.XX , havia uma concentração de explicações sobre a mente relacionadas ao comportamento externo, comportamental. Mais tarde veio a ciência cognitiva que dava ênfase aos processos internos, mas para desenredar o emaranhado, o raciocínio filosófico é essencial.
Uma teoria sobre a consciência pode ter conseqüências surpreendentes para nossa visão do Universo e de nós mesmos.
Um problema difícil:
Como processos físicos do cérebro podem dar origem à experiência subjetiva da consciência?
Há fatos sobre a experiência consciente que não podem ser deduzidos dos fatos físicos relativos ao funcionamento do cérebro. Mas, notavelmente, a experiência subjetiva parece emergir de um processo físico. Ainda que não tenhamos nenhuma idéia de como se processa assim.
domingo, 11 de maio de 2008
Arquivo do blog
-
▼
2008
(40)
-
►
Abril
(27)
- Os ídolos
- A Simples vida
- Uma mulher descasada
- A Crise dos 40 anos
- Fobias e preconceitos
- Navegando na sexualidade
- A arte de amar
- A infidelidade
- A natureza provedora violentada
- O Sentido da disputa
- Paixão
- Fantasias sexuais
- Defeito humano
- O Kama Sutra
- Irracionalidade bélica
- As dores do amor
- A escolha da profissão
- A dinâmica dos costumes
- Depressão magistral
- De fêmeas e de mulheres
- Um país infeliz
- As soluções do inconsciente coletivo
- Homossexualismo, inclusive de bombacha.
- Via memória
- As fórmulas da felicidade
- Lei protetora e infalível
- A Impermanência
-
►
Abril
(27)