terça-feira, 22 de abril de 2008

Navegando na sexualidade

A atividade sexual é o veículo mais importante empregado pelo homem em sua predestinação de permanecer sobre a terra, com este fim e de forma irrestrita e insubstituivel. Deste modo e não podemos ser hipócritas, o sexo, com esta finalidade ou não, incluindo o sexo erótico entre casais, é uma das atividades onde homens e mulheres mais buscam satisfação. Buscando desfrutar, inclusive, do que se pode chamar de erudição na atividade sexual.
Entretanto, no homem comum, nenhuma atividade com este quilate é tão rodeada de preconceitos ou escamoteis quanto essa, a ponto de fazê-lo transitar com extraoridnária freqüência nos divãs dos analistas com queixas a ela correlatas; ou, até, em consultórios comuns, onde as pessoas que tem problemas a resolver neste área permitem-se tratá-los.
Fisiologicamente, as atitudes sexuais principais no homem derivam de uma potente força psíquica, de origem inata, que faz parte dos instintos primários localizados no ID(usando a nomeação de Freud), nascida com o indivíduo e orientada, na gestação, para ser máscula ou fêmea conforme influência de hormônios, força essa que chamamos de libido. A qual, além de ordenar e orientar a procura pelo sexo em sua forma crua, por influência ambiental, poderá padecer de transformações via mecanismos de defesa, como ser reprimida, por ex.ou até ser canalizada para outras áreas criativas da atividade humana; por exemplo, produzindo um empresário bem sucedido por sua libido sublimada. Mas, esta força íntima é mais ou menos como uma visão do sexo primitivo presente no homem.
Entretanto, sendo este um ser social, passou a ser regido pelas várias normas do seu ambiente, uma delas, vítima da potência da libido inconsciente, diz que ela não deve sair por ai descontrolada. A libido vem a ser o maior alvo de preconceitos de todas as normas constantes da vida de relação social, principalmente, por que padeceu de uma interpretação distorcida do que estava primáriamente escrito na maioria das culturas. Acabando por transformar o sexo, fosse ou não, em uma forma de pecado; quando tudo passou a ser regido pelo pudor cultural e oficial.
Basicamente, incluindo o sexual, o comportamento das pessoas variou nas várias culturas; assim, em tempos belicosos os guerreiros vencedores obtinham, pela lei da guerra, direitos sobre as mulheres remanescentes nas áreas conquistadas; por outro lado, dependendo da influência da igreja na sociedade, fosse entre nobres ou plebeus, esta exercia um grande poder ao exigir obediência a um comportamento casto. Muito embora de forma dissimulada, tanto no clero, como entre os nobres influentes, ocorressem deslises permissivos.
Uma dessas culminâncias foi o famoso episódio de Henrique VIII, que acabou fundando uma igreja dissidente da católica por questões pendentes entre o rei e o Papa, envolvendo duas de suas oito mulheres.
De forma ampla, as sociedades sempre tiveram uma cultura influente e repressora em relação ao comportamento sexual em quase todas as épocas; a qual nunca fugiu da balisa feita pela posição de dependência e, quase como regra, submissão da mulher em relação ao homem. Assim, segundo as descrições do livro O Kama Sutra, escrito em sânscrito logo nos primeiros séculos da era cristã, na Índia, os homens, embora possuíssem suas esposas, a cultura hindú disponibilizava-lhes uma outra classe de mulheres, as requintadas coretezãs. Estas eram mulheres finas e escolhidas, ensinadas na arte de retirar do sexo o máximo prazer possível ao corpo; tal arte constituia-se de, no mínimo, cinquenta quesitos que a cortezã deveria aprender em longo aprendizado, desde o conhecimento sobre fazer chás, bordar lençóis, fazer massagens, decorar quartos destinados ao ato do amor, praticar a secagem de flores aromáticas, fazer comidas e perfumes, arranjos etc. Até o conhecimento de atos, técnicas e posições diversificadas que pudessem aumentar o prazer sexual de seus parceiros.Imaginando-se que tenha nascido neste então a codificação do erotismo, inclusive o moderno; que, aliás, tem no homem o único animal capaz de cutlivá-lo.
Se as práticas sexuais obtiveram este requinte e liberalidade no século IV desta era, sem dúvida, no entanto, forças culturais e sociais muito potentes, que certamente encontraram respaldo nas dificuldades íntimas de cada um e influenciadas pelo temor do castigo celestial, religioso e social, mais influente na fase de obscurantismo da humanidade, que teve como ápice na Inquisição, em um longo intervalo temporal, de lá para cá apenas permitiu uma sexualidade, digamos, menos rebuscada nas formas de prazer e mais conflituosa às pessoas comuns, nunca tendo o erotismo sido vista através de uma visão natural. Mesmo descontando-se as restrições oferecidas pela própria formação do psiquismo humano.
O homem, através das influências do ambiente recebe regras da educação embutida na sua cultura e passa a ser regido por normas, as quais se armazenam na mente sob a forma de Superego( ainda usando a nomeaçãode Freud), basicamente com noções de socialmente aceito ou repelido. Mas, com toda esta construção íntima, dificilmente uma outra área da atuação social e biológica humana, que ao invés de ser regida por uma condição de oportuna ou inoportuna, foi tão submetida ao rótulo de errado e priobido, como o foi a atividade sexual. E desse conceito errôneo nasceram os maiores preconceitos e de forma tão prejudicial, visto que as sociedades se especializaram, dada a força sexual íntima, em praticá-la com desvios, com culpa, às escondidas e com pouca naturalidade. A ponto de, até uma ou duas gerações passadas, algumas mulheres e mesmo alguns homens, dentro da casamento, praticarem sexo somente com fins procriativos ou não, mas com sentimento de culpa, o que ainda existe em comportamentos mais rígidos.
Novamente, então, na atualidade, na dependência da posição da mulher em relação aos homens, hoje mais independentes deles e capazes até de escolherem seus parceiros, em alguns casos com banalização inconveniente, a prática do sexo atinge um melhor grau de vivência, no mínimo com descontração. O que é, psíquica e emocionalmente, mais saudável.