Nas férias do verão passado, as quais gozei num balneário populoso, tive a oportunidade de observar mais uma vez o comportamento geral, e até detalhes específicos, de uma verdadeira massa humana em trajes de pouca roupa, ainda que meu cabresto fosse meio curto. Ali, confirmei a idéia de que as mulheres tornam-se, indubitavelmente, muito mais bonitas e os seus recursos reais, ao contrário do que pensam, são muito maiores quando encontram-se um pouco mais vestidas. Digamos que ficam com muito mais "sex-appeal". Aliás, poucas deveriam ser aquelas a quem a beleza estética deveria permitir usar biquini ou tanga. Sendo que, algumas delas, comportam-se frente aos nossos olhos, ora admirados, ora espantados, quando semi-nuas, parecendo mais uma salchicha quando se tira a pelezinha que a envolve, perdoem-me o realismo. E concluí, também, que, embora fantasia e imaginação sejam uma manifestação da dinâmica de nossas mentes, de ocorrência quase aleatória, a circunstância global de uma praia é por demais propícia à exacerbação das chamadas fantasias sexuais.
Entenda, os animais relacionam-se sexualmente de uma forma biológica, cumprindo uma destinação específica necessária à perpetuação das espécies e provavelmente sentem alguma forma de prazer irracional na sua consumação. Já a racionalidade, que deu ao homem uma condição de inteligência, acrescentou recursos infinitos aos prazeres extraídos de uma relação deste tipo, cujo conjunto chamamos de erotismo, para ser exercitado antes, durante e depois dela.
As fantasias sexuais, então, atuam como verdadeiras indutoras e/ou auxiliares da libido em tempos de calmaria, sendo tão numerosas quantas são as variantes imaginativas de cada indivíduo, homem ou mulher, ou de um grupo deles, mantendo em sua arquitetura a cultura pessoal e ambiental como agente balizador.
É de acreditar-se que, no passado, as fantasias eram mais escondidas e reprimidas, ainda que sempre intimamente atuantes e, com freqüência, vinculadas ao ato proibido; no presente, entretanto, além de mais livres e mesmo sem perder a intimidade, as fantasias chegam até a comportar-se ,em algumas cabeças, como verdadeira forma de prazer, de certo valor fisiológico e até terapêutico, ainda que incompleto.
E por serem pessoais, suas peculiaridades são infinitas e vão desde fantasiar uma transa no elevador, em cima da pia da cozinha ou dentro do poço. E tome íntima admiração pelo pezinho da japoneza, pela japonezinha toda e seu pé, pelas bailarinas do Faustão dançando em sua casa, pela correntinha no tornozelo etc.
Enfim, no mundo inteiro, o mais das vezes de forma não confessada, pessoas comuns e as mais ilustres figuras cultivam fantasias sexuais as mais variadas, algumas chegando a ser consideradas excêntricas e até doentias. E cito duas famosas: O Príncipe Charles, viúvo de Diana Spencer, fantasiava que queria ser o absorvente higiênico da amante Camilla Parker Bowes e ficar mensalmente ali, no quentinho. Já na era vitoriana, Oscar Wilde excitava-se se alguém defecasse sobre um papel celofane em seu rosto( Quê mau gosto!!) Vê se pode?
Como disse, fantasiar é muito pessoal.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Arquivo do blog
-
▼
2008
(40)
-
▼
Abril
(27)
- Os ídolos
- A Simples vida
- Uma mulher descasada
- A Crise dos 40 anos
- Fobias e preconceitos
- Navegando na sexualidade
- A arte de amar
- A infidelidade
- A natureza provedora violentada
- O Sentido da disputa
- Paixão
- Fantasias sexuais
- Defeito humano
- O Kama Sutra
- Irracionalidade bélica
- As dores do amor
- A escolha da profissão
- A dinâmica dos costumes
- Depressão magistral
- De fêmeas e de mulheres
- Um país infeliz
- As soluções do inconsciente coletivo
- Homossexualismo, inclusive de bombacha.
- Via memória
- As fórmulas da felicidade
- Lei protetora e infalível
- A Impermanência
-
▼
Abril
(27)