Quando suamos muito, um mecanismo especial do cérebro, no diencéfalo, é ativado por concentração sangüínea específica para que a glândula hipófise, que comanda todas as outras do organismo, secrete o hormônio antidiurético (ADH). Este, na circulação, vai ativar o rim para reabsorver os líquidos filtrados e diminuir assim a quantia de urina, tudo como conseqüência da perda líquida inicial pela sudorese. Fantástico, não? Em um equilíbrio que poucas máquinas tem e usando um mecanismo chamado "biofeedback" ou retroalimentação de informações, o qual a cibernética copiou do corpo humano para aplicar em automação. Iguais a este, existe no corpo humano uma infinidade de mecanismos que tornam o corpo humano hígido uma máquina perfeita.
Obra divina e da natureza, por certo, produto da evolução de milênios e milênios, o organismo do homem em seu funcionamento harmônico, incluindo o funcionamento do cérebro sob o ponto de vista orgânico, não encontra similar no reino animal, posição onde chegou pela evolução da espécie. E, especialmente, dentro do cérebro encontramos uma fisiologia e uma bioquímica, ainda que só parcialmente conhecidas, mas em via de serem desvendadas, que encantam por sua eficiência e precisão, algo admirável.
Entretanto, é este cérebro que abriga a nossa mente, a qual é a sua condutora, responsável pela relação do indivíduo com seu meio. E que apresenta, ou defeitos inerentes ao psiquismo, ou então funções que lhe proporcionam relações defeituosas com o meio, e explico.
Uma parte do nosso psiquismo, sendo este o fundamento da nossa mente, tem uma sua porção chamada ego, que com a finalidade de manter a sua integridade de forma indissociável com o restante da estrutura e por ter pouca humildade, não se relaciona muito bem com as frustrações, derrotas e sofrimentos, desde as mínimas até as grandes. E contra as quais apela para mecanismos "analgésicos" ou "maquiadores", que se conhecem como "mecanismos de defesa". Dois destes são a projeção e a transferência, dos quais o ego, costumeiramente, usa para se livrar de responsabilidades e culpas. Por exemplo, alguém acha que rodou em um exame porque o professor deu mal a matéria, aliviando a si próprio de ter que encarar a culpa de não ter estudado. E, observe, nesse particular as manifestações comportamentais desse tipo são infinitas, podendo inclusive ter origem no ego consciente, como também no funcionamento inconsciente da mente. Sendo que as projeções e as transferências podem também ser feitas sobre os objetos os mais variados, até mesmo sobre baratas e ratos (muito comum). Ou mesmo alguém chutar um inanimado móvel no qual trompa, e se machuca, para não responsabilizar o seu momentâneo estado atabalhoado. Uma espécie de escapismo das reais responsabilidades, cuja uma das conseqüências é transferir as soluções necessárias e quase sempre evidentes.
Falei logo atrás que esse era um defeito do psiquismo, realmente assim o é, e generalizado; é um funcionamento comum encontrado em todas as pessoas. E, somente depois de muita lucidez e exame íntimo de conduta, é que um número reduzido de esclarecidos toma consciência e controle total e moral deste fato. E mais, trata-se de um defeito grave do proceder humano e mais grave ainda quando se percebe que este erro íntimo do nosso ego encontra-se junto com outras causas, por trás do sentimento de racismo e de outros preconceitos grandes ou pequenos. O que dificulta a sua eliminação.
terça-feira, 22 de abril de 2008
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